domingo, 27 de novembro de 2011

O TEMPO NÂO APAGARÁ...

Próximo às festas de fim de ano, venho neste espaço relembrar de alguém.
Uma garota que parecia moleca e que a cada vez que a encontrava me deixava impressionado.
Não sei qual é o propósito das coisas, mas ela, tão jovem foi embora e mesmo assim nunca nos deixará.
Flaviane Ferreira Fialho se foi numa véspera de natal e fez negra esta época para sua família.
Onde está você agora que nossos olhos não a veem mais?
Não adianta mais te procurar no cano da praça da baixada nem no banquinho perto da estátua da praça do centro.
Foi uma fagulha quente capaz de incendiar os corações mais frios, e no calor do fogo se foi.
Gostaria de dar-te meu perdão por causar tanta tristeza e indignação com a vida, mas você se foi rápido e fez inútil qualquer tentativa de resposta.
Um mês de expectativas em torno de sua recuperação traçaram uma via dolorosa.
Foi um tempo pra ser perdoada e pra perdoar. Isto me conforta.
 A dor purifica a alma e onde quer que eu vá não farei vista grossa pro aprendizado da vida.
Dê-me um tempo. Quem sabe a vida toda. Ainda assim não será suficiente pra sarar certas feridas.
Apertar um e rir das pessoas ainda eram coisa de jovenzinhos inconsequentes, mas você era mais do que isto.
Não éramos enamorados e nem seríamos, porém uma amizade as vezes tem maior importância e é por isso que dedico este natal a você.
Pitchula, quando nos encontrávamos em sonho após sua morte eu te amei como uma irmãzinha. Uma hora teria de parar ou eu ficaria mais perturbado.
Me perdoe por isso, mas as lembranças felizes machucam mais e todos que te conheceram ainda se lembram daquele natal.
Sua dor ainda viva em quem ficou e rogo a Deus que pelo menos você não tenha lembranças desta tragédia que irremediavelmente atingiu a tantos.
Se soubesse eu que isto aconteceria, ainda assim faria tudo de novo para estar com você em tantos momentos.
Ainda te amo.

Seu amigo Eder Mendes

terça-feira, 8 de novembro de 2011

A SENTINELA DOS SONHOS

Enquanto me olhava de canto de olho, me atraía e envolvia num sonho de infância.
Enquanto não a conhecia, me moldei e me aperfeiçoei para que pudesse ser, era sublime pensar nela e em todos que estavam juntos por sua causa.
Aqueles olhos inchados um pouco turvos não se encaixavam em minhas fotografias, era eu uma criança que gostava do trem fantasma.
Todos os lugares onde a encontrava eram de fazer frio na barriga e eu sempre ia.
Eu fazia de insano o sorriso que era puro e num mergulho de cabeça me afoguei na água represada.
Um riacho que era tranquilo e transparente, tudo por ela.
Outros vieram seguindo e caindo, fugindo e retornando.
Ela queria de mim o que teve de todos e eu não podia dar.
Ela tomou.
Sempre em que eu a questionava acerca de suas intenções, ela me deixava livre pra me enganar e acabar voltando.
Hoje quando a encontro, vejo nela a morte de meus sonhos e não era pra ser.
Sonhador e inquieto, ainda procuro por motivos e parece que apesar de uma vida linda com tudo o que sou e tenho, ela vai rir de mim.
Porque ela esta na minha dor, dor aquela que já existia antes mesmo de nos conhecermos.
Quando vejo gente jovem, tenho pena, pena de mim, pena do mundo.
Afinal de contas, sei que não sou o primeiro, mas se tivesse certeza de que seria o ultimo, morreria com ela para que ninguém mais se enganasse.
De todas as músicas e filmes, paisagens e pessoas que me acompanhavam, ela se fez de necessária.
Durante as conversas deu a pauta e velhas mentiras foram contadas.
No fim de tudo ela substituiu o amor e por isso se tornou sinônimo de morte e dor.
Personificada e intensa, um dia nos encontraremos e vou envergonha-la...
Porque eu era puro de coração e nunca quis...
Mas ela, ela sempre soube e mesmo assim fez questão de tamanha destruição e tristeza.
Vejo hoje, todos aqui, na fila, um a um.
Minha cantora preferida.
Um familiar querido.
O ator que fez aquele filme.
O vizinho que brincava no meio da rua.
O coleguinha de classe e aquela namoradinha que eu amava.
E isso me fez chorar.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

pra que fingir tão bem?
 é claro que as cores vem de dentro.
figuras, peixes, flores e gente feliz.
e quando não é isto?
pintar é mais fácil.
escrever.
ainda bem que quase ninguém lê.
hoje me encontrariam aqui, em poucas linhas.
nunca quis isto.
pena que quase ninguém intenderia com facilidade.
linhas vazias.
mal escritas.
poucas palavras.
nenhuma ideia.
aqui sim, estou eu.
sem descrições detalhistas.
sem comparações coerentes e aparentemente inteligentes.
eu.
e eu.
e só eu.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

APENAS LOUCOS ACREDITAM EM DEUS


Quem quis se esconder e perdeu seu tempo num baile de máscaras. São seus últimos segundos e não há mais o que fazer, atordoados como bêbados a caminho de casa. Essa é a vida e no fundo todos sabiam disto.
Num entrave eterno entre o que é e o que gostariam que fossem. Essa é a vida e mesmo assim ignoraram a mensagem de alguém que andou avisando sobre o amor. Seria tão mais fácil se as famílias amassem de verdade seus integrantes sem olhar tanto o que estava incrustando a bela imagem almejada
Pecaram por acreditar em deus, deus este que de seu trono imputa regras de vida baseadas em preconceitos. Separando pessoas de pessoas e criando camadas de maquiagem sobre as faces putrefadas. Ninguém escapa do grande olho que tudo sabe e tudo vê, e quando trancada a porta em seu leito, longe de tudo e todos, ele estará lá.
Mal pode esperar o momento de julgar e decapitar as malditas cabeças pecadoras. Quando chorou no quarto quietinho e sem barulho para que ninguém soubesse de seus sentimentos, ele sabe, avisou sua mãe.
Era pior do que poderia se imaginar, o grande deus que diverge em suas criações sem que nada pode ser feito. Aqueles que na roleta russa do acaso saem do padrão do seu tempo e cultura, esses o temido inferno os aguarda.
 Ah! Como é bom ser deus. Ou criar um para amedrontar e bitolar as pessoas.
Quase ninguém soube que Deus sempre esteve na vida e que tudo o que ele queria era que essa vida seguisse seu curso como um riacho. Sem diques nem barreiras, sem represar sentimentos ou nivelar seu relevo de dificuldades intercalado com cursos mansos.
Ninguém contou que o barro da terra corre nas veias de Deus numa bola viva que não peca por existir. Sapos pulam e pássaros voam e pecado seria se começassem a voar os sapos. Tal como seres humanos que nascem dotados de uma gama infinita de possibilidades. Pode matar, pode roubar, pode até blasfemar... o ser humano pode, sim, Deus não impede. O grande deus impede, condena e um dia há de castigar.
Deus deixou tudo para que todos pudessem ser, como ele quis, livres. Quem determina o que o grande deus condena é o próprio que se condena por fazer tal coisa. Por acaso é necessário dizer que o ferro quente queima se de longe pode sentir o seu calor?
Questões humanas de ética, sobrevivência e pudor, bem como as facetas de quem nada sabe a respeito de si afastaram o homem de Deus e como nada poderiam fazer, criaram outro grande deus que fosse passível de medidas cabíveis em seu controle. Quem ousou desconfiar, antes morria, agora pode ser que apenas pense, fale ou quem sabe escreva. Loucos. Apenas loucos.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Bêbado blue, baby blues
Embaladas no blues, lágrimas obvias e sem emoção.
Fácil dor de um bêbado sem seu gole pra filosofar.
Trancafiado em grilhões de oportunidades que envelheceram sua geração.
 Voltar pra casa cedo e ter filhos pra criar.
Apagar cigarro em cinzeiros e só beber mais uma e ir de volta.
Coisas enferrujadas entre outras já mofadas lembrando que o tempo passou.
Esquecer os hinos dos rebeldes, ficar sem graça e sentar na praça feliz e sem revolta.
Tudo pra fazer alguém feliz e não a si mesmo, falar pouco com quem restou.
Botar filhos no mundo. Não gravar discos. Não tatuar. Não morrer aos vinte e sete. 

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Bruna, Bianca e Bettina.



O amor é sem medidas e inescrupuloso, sem explicar toma conta é abundante e superabundante.
O amor é bonito de se ver e falar, nem sempre de se viver nem sempre de se amar.
O amor é construir, se não correspondido, também pode destruir.
O amor faz crescer e quanto maior for, mais faz caber.
  

Então ame sem demora, tire de dentro e ponha pra fora.
Então deixe ser amado, mesmo que seja longe, mesmo estando ao lado.
Então faça o amor valer, em meio a noite negra ou vendo o sol nascer.
Então viva o amor de verdade, com proximidade ou com saudade.

Seja fiel e tome cuidado, pode morrer se não for regado.
Seja paciente e tenha energia, lidar com a tristeza conter a euforia.
Seja calmo e deixe viver, se for abafado pode morrer.
Seja como for, só existe sentido para a vida se existir o amor.

Sobrinhas e filha, amigos e irmãos, amor é isto, vos amo e não da pra explicar...

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Agosto mês dos loucos

 Ventos de Agosto, devaneio e loucura no mês que deixa o cerrado marrom e aparentemente sem vida.
Secas as vidas quase sem água expirando suas ultimas reservas.
Cada folha e seus depósitos de poeira, fuligem e ressecadas. Até que chegue Setembro. Agosto divisor de tempos.
Secos meses se passaram e o vento sopra em Goianésia.
Seus reduzidos cursos de águas pedem chuva. Adentrando serra acima, Barro-alto, Santa Rita, Juscelândia.
De cima se vê a coluna de poeira e os veículos abarrotados de gente cansada, usinas e lavouras e nada muda nunca. Nem quando volta a chover.
Seu Dezinho rancou pés de café nos tempos de Geremias Lunardelli e achou que a mudança seria boa. Foi boa, mas não pra ele.
Em agosto as pessoas enlouquecem, comenta-se a muito tempo.
Na calçada de pés sujos fumando crack e procurando pedacinhos na poeira. O garoto ficou louco, tem filho e ficou assim.
Ninguém emprega alguém assim.
Seu Dezinho tava certo quando disse que por aqui tem magia no pé da serra e que o tempo está no fim.
Ele não falava de magia boa, ela é viva e encerra em seus vales gente que derrama seu suor por nada, enriquece os ricos e empobrece os pobres.
Gente viciada se desemprega e viciados se espalham nas calçadas imundas.
É mês de Agosto e os encerrados de goianésia enlouquecem.
Uns querem apenas comida pra si e seus filhos, querem trabalho e querem recomeço. Esses enlouquecem e querem viver mais uma safra para que seus filhos comam.
Outros se drogam nas calçadas, sujas da poeira que vem da serra no mês de Agosto. Bebendo mais um gole e fumam mais um trago, catando guimbas de cigarro e ficam entre a cinza a pedra e o pó. Esses enlouquecem e querem viver mais uma correria pra fumar e morrer.
Os ventos de Agosto agora tampando com folhas e terra as sementes que caíram durante a seca. Essas têm de morrer, secar para que se renove a vida.
Em casa de dispensa cheia em bairros limpos, pouco se sente.
Mas os bichos do cerrado têm de ir longe atrás de água e os frutos escassos dessas arvores retorcidas são raros, adstringentes e pouco servem pra matar a fome.
São para todos os mesmos ventos de Agosto e que pra alguns e nenhuns algo muda.
Seria falta de comida e água.
Seria falta de emprego e perspectivas.
Seria abandono de batalha e auto-entrega.
Ventos que vem da serra mágica que ergue os já altos e deprime os baixos nos vales.
Nesses ventos de Agosto enlouquecidos encerrados, dos vales do cerrado na cidade de Goianésia.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

DEISE



Sabe Deise? As vezes te encontro de surpresa em alguns sonhos e sinto falta de falar com você. Sou tão antigo em algumas coisas e não consigo me satisfazer com telefones e mensagens. Fico aqui e imagino o que você é e o que você faz.
Não estamos tão distantes e hoje em dia tudo parece mais fácil, só que sinto umas coisas de vez em quando que não consigo disfarçar pra você. Nossa cumplicidade não acabou e isto é sintoma de um laço verdadeiro e forte.
Sabe Deise? As coisas aconteceram muito rápido pra mim e eu tive tanto tempo pra me preparar, e você sabe, eu fui deixando... Sinto falta do que não tenho mais e vejo com uma certa nostalgia os tempos em que tudo poderia ser melhor.
Sua filha já está tão grandinha então imagino que você sabe do que estou falando. Ver minha filha nascer num momento tão triste da minha vida me fez lembrar o quanto você, apesar de manhosa, é forte e não se abateu com a vida. Me falta um pouco disso e não sei onde buscar.
Todos, onde você trabalhou, notavam sua competência e o seu sucesso era sempre alcançado. Seus amigos não ficaram de lado quando você foi mãe mas você sempre os fez ocupar o lugar devido em sua vida. É medonha sua autonomia e capacidade de jogar tudo pra cima.
Levei mais um sacode da vida e pareço ter perdido o bonde, aí me lembro de você. Não dava pra mentir e ouvindo um som, nas idas e voltas do colégio a gente botava o papo em dia. Sempre quero demais e parece que pra isto o tempo não passa, ou passa demais e eu fico assim.
Queria minha vida de volta e te vejo nela, rindo, brigando, ou apenas por aí... Sei que está viva e diferente de alguns amigos que se foram a gente é mais que isso, só que dói ter de admitir que no tempo em que dava pra jogar conversa fora, andar por aí, onde eu tava? Estou muito feliz com meu anjinho, só que tenho medo de que um dia alguém ache que eu não sirvo pra ela ou que ela pense isto de mim. Tanta bobagem só pra te dizer que to com muita saudade de você e que o lugar que você ocupa na minha vida não está vago e nem deixou de existir, está do mesmo jeito que você deixou

Numa rachadura de uma calçada no canto de um muro encontrei um raminho com uma florzinha pequena que se ergueu
Não sei como ela foi nascer ali, naquele lugar tão inóspito e cheio de pessoas transitando.
Pétalas brancas com um miolinho amarelo, cabo fininho em meio ao lodo da calçada.
Mexeu comigo e percebi que ninguém se importava com a florzinha da calçada.
Um passo depois já era motivo para que nem eu me lembrasse também.
A natureza oferece espetáculos a todo momento e no vai e vem dos dias nem percebemos.
A margaridinha da calçada era apenas um exemplo de resistência sem se perder a beleza.
Assim como quem, entre uns e outros que pisaram ou que não se importaram.
Resiste sem perder a beleza e faz de sua existência um motivo para que outros também insistam.
Não vista ou lembrada, margarida da calçada Reconhecer a dádiva e a beleza que se tem não é ser amada ou ser louvada. É apenas continuar a viver, quer aprendendo lições ou servindo como tal.

Parabéns por ser assim, espero você aqui... Te amo

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

É proporcional

É proporcional

Quis um grande emprego...
Quis uma grande felicidade...
Quis um encontro com um grande deus...
Quis uma grande fortuna...
Quis grandes amigos....
Pequeno demais pra comportar tão grandes ambições e não tive nada.
Simples demais pra entender, mas grande demais pra uma mente pequena.
Quando me vi em derrotas e conflitos sem resolução, minimizaram minhas reações.
Então proporcional ao espaço que abri em mim buscando grandiosas coisas, algo aconteceu.
Desempregado com grandes dívidas...
Infeliz com grandes perdas...
Incrédulo com grandes dúvidas...
Pobre com grandes privações...
Inimigos com grandes decepções...
Um grande fracasso...
Algo grande que nunca busquei, sobreviveu e frutificou.
Um grande amor...
O amor não pede carteira assinada, mas precisa de sustento.
O amor não vive de momentos mais afaga na tristeza.
O amor não responde a todas as perguntas, pelo contrário questiona.
O amor não compra uma casa, mas faz querer ter uma.
O amor não devolve os amigos da juventude, os torna até indesejáveis.
E na megalomania de antes no meio de uma equação impossível de terminar bem...
Cinara e Bianca e o meu grande desfecho.
Agora o mundo ficou pequeno.
Eu é que sou grande...
Eder Mendes 

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Os loucos vão pro céu

Deixai que envelheçam os jovens sem que sua juventude seja ridicularizada.
Deixai que morram os famosos para que outros deixem suas mãos na calçada.
Deixai que os loucos sejam esquecidos para que não os sigamos para sempre

Que se matem os assassinos e deixai-os beber de seu sangue feroz.
Que se quebrem as pernas do atleta para que outro seja mais veloz.
Deixai que os loucos sejam esquecidos para que não os sigamos para sempre.

Calem-se as vozes mais belas para outros tons de sol possamos escutar
Caiam os reinados e seus palácios para que algo novo possa reinar
Deixai que os loucos sejam esquecidos para que não os sigamos para sempre.

Modifiquem-se as leis e façam novas para que outros crimes possamos cometer
Inventem outro paraíso para que felizes e apaziguados possamos morrer.
Deixai que os loucos sejam esquecidos para que não os sigamos para sempre.

Caminho das aguas

Caminho das águas



Águas que rolaram pelas encostas da minha estrada.
De uma vida marcada nos pés calejados da caminhada.
Caminhos secos e empoeirados que me levaram até aqui.
Recortes confusos de tempos nublados onde chorei, onde sorri.

Águas que caem esfriando meu pensamento fervilhante.
Hora acerto, hora erro e errado sigo o caminho de um errante.
Entre milhares de alternativas me mantive omisso e parado no tempo.
E  na encruzilhada espero a direção mudar com o vento.

Águas que virão e novamente me levarão com a enxurrada.
Com elas sigo entre pedras, galhos e folhas pela estrada.
Até que ancore meu pensamento e meus sentimentos não mais represar.
Águas acalmem meu coração, chuva, vem sem demora me inundar. 
Eder Mendes

Laboratórios humanos


     
      Concebidos em seus lares, às vezes despedaçados ou prestes a isto. Pessoas se testam a todo o momento numa busca incessante por novas sensações de prazer e loucura. Impossível determinar o motivo pelo qual tantos morrem nessa busca.
      Difícil eu falar do mundo dos compulsivos sem passar por caminhos conhecidos por mim pessoalmente. Uma linha nada tênue traçada a frente e você pula de um lado para outro sem remorso.
      Outras compulsões muito comuns se manifestam em pessoas também comuns e passam despercebidas no dia a dia. A quem diga que o gordinho ali deveria fechar a boca, o alcoólatra, o jogador ou o midiático. Tantas vertentes de um único impulso de compulsão e obsessão.
      O que alguém diria a pessoas com tais problemas? Pare? Tudo que o compulsivo não quer é começar porem dizer que deve parar é algo no mínimo óbvio e inútil. A medida em que o individuo se torna doente ele perde todos os valores ou os deixa em segundo plano. Tudo em nome disto ou daquilo ou até mesmo de tudo.
      Um ciclo se instala na mente, querer, obter, exagerar, arrepender, evitar, querer, obter... até morrer ou que seja prejudicar-se irremediavelmente. O fato está no quanto isto é comum e vivido diariamente por pessoas que querem e as vezes não sabem nem ao menos o que querem, apenas querem.
      Entra em questão, um shake letal que põe a pessoa numa vida de roleta russa: associar a compulsão com coisas altamente compulsivas. Não estou falando de chocolate ou de ver o mesmo seriado várias vezes, falo destes que usam drogas, bebem, falo de perversões e o abismo que suas vidas se transformam a partir de então.
      Ultimamente estou compulsivo por escrever e se quem estiver lendo entender um pouquinho do que falo aqui, vai ver que talvez seja um bom negócio.

Eder Mendes

domingo, 24 de julho de 2011

NAS GAVETAS DA EXISTÊNCIA


Eder Mendes, sugestão. Tempo perdido legião urbana ou Joe the cranberries
(dedicado a DEISE MENDES)
Deixada no fundo de uma gaveta, uma foto, estragada e com imagens borradas e figuras distorcidas.
Emoldurada a tristeza em dimensões imensuráveis.
Era de dar calafrio, tanta felicidade.
Não durou muito.
Acabou cedo.
Fez chorar.
Fez ter medo do tempo.
Pessoas tão presentes e lugares tão óbvios davam a impressão de que ser jovem é unanimente eterno.
Para uns perdeu a graça atravessar a madrugada bebendo.
Ouvindo  violão em canções tão tocadas que já fazia a trilha sonora da liberdade.
Não ter de ser ninguém.
Alguns morreram muito cedo e a roleta ainda não parou.
Algumas almas frias em encontros onde se repara quem engordou ou quem teve filhos, ou mesmo quem casou.
Muitas lágrimas agora enxugadas e disfarçadas pra não sentir vergonha de ficar triste.
Por que logo vocês?
Por que eu?´
Voltando pra casa cedo e ouvindo vozes que vem de dentro, nos cantos dos muros que nos cercam por dentro.
Cada lugarzinho de caminhos cheios de fantasmas brancos e negros e outros nem tanto.
Me aguarda a vida corrida e séria, sem vontades e nem surpresas.
Ouvir rock, gritar gutural e alto. Roots bloody, roots
Ninguém muda suas impressões sem perder brilho e cor.
Quando chorei, chorei e sabia, dias piores viriam e estava certo.
Na verdade dias piores e melhores, mesclando e confundindo minha contagem do tempo.
Deixada no fundo de uma gaveta, uma foto, estragada e com imagens borradas e figuras distorcidas.
Restaram algumas musicas, pessoas, manias, vícios e alguma ingenuidade.
Pra mim a pincelada final de uma obra nem  sempre é a parte mais bonita ou a mais feia.
Viver intensamente requer deixar muito pelas margens da estrada.
Garrafas, discos quebrados, pessoas mortas, vivas para sempre e pessoas vivas que morreram vegetativas e indolentes nos corredores de nossa existência.
Cantando tempo perdido, perdendo tempo com lembranças.
Vivendo o bom e o ruim tempo perdido.
Ou apenas escrevendo sobre ele


sábado, 23 de julho de 2011

You know im no good... Amy Winehouse...23 de julho 2011

By: Eder Mendes
A mente humana viaja por caminhos infinitos e muitas vezes sem volta.
Hoje Amy não voltou e deixou o mundo com o desfecho já anunciado e esperado por seu admiradores.
Até onde sei, pessoas assim sofrem de um mal mais perigoso que o câncer, a dependencia química.
Nem todos sabem o que é dissolver a vida em um copo e beber, triturar os valores da vida e os sentimentos em uma carreira de cocaína e inalar.
Por tras da ressaca moral e os sintomas de uma noitada regada a alcool e drogas, existe sempre alguem que sente falta dos almoços em família, sorvetes com amigos e piadas que fazem rir sem matar.
Billy Hollyday já demonstrou e Janis Joplin confirmou, agora Amy sentiu na pele o ultimo gole e a dose final.
É lamentavel perceber que a grande maioria da sociedade assiste seus ídolos, parentes, amigos entre outros que se drogam e se acabam como Amy, morta, drogada e com um talento único resumido em vinte e sete anos de turbulências sem fim. Ainda o mundo perde notáveis figuras com males que começam no coração, na alma e penalizam o corpo em poucos anos. Ainda ouvirei Amy enquanto escrevo, mas agora sem a esperança de que ela poderia voltar pra casa como eu, sem muita diversão, nem um terço do impulso que tinha nas drogas, mas vivo pra escrever a estória

Almas inquietas e jovens

  
Num entrave entre sensações frias e quentes, o bom gosto, doce, leve e suave; traz na boca o amargo, ardido, adstringente e agridoce.
Confusão de sentimentos onde o corpo a mente3 o espírito e alma, oscilam e desequilibram.
Vontade de cessarem os sentidos e amenizar os tons que aprofundam-se espetando o âmago do ser como agulhas quentes.
Acaba-se o tempo e a luz e o ser não se apaga jamais.
As lacunas ansiosas de quem só vive intenso e o comum e o simples é ócio e tédio.
Tortura-se pra sentir dor e rir do acaso pra não ver a  frieza do dia a dia.
O pensamento a toa faz sentir a morte, é morrer como o coelho na moita pego pela boca do cão.
Metáfora, coesão, esconder, esquivar e rodar no olho do tornado e se jogar.
Tudo pra não morrer  parado e quieto, abraçado9 a uma árvore de abandono e ver perder Deus

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Beleza e uma vida bela

É inegável o fato de que quando compramos frutas em uma banca, escolhemos as mais bonitas e com aparência saudável. Com a imagem que passamos somos lembrados e apartir daí rotulados e dispostos nas gôndulas da vida em sociedade.
A medida em que a pessoa deixa de se preocupar com sua aparência, algo de doente já está desencadeado.
A auto-estima baixa e o isolamento são sintomas de uma depressâo ou de uma fase deprimida, muito comuns na agitada vida contemporânea e quando  são exteriorizadas, pode ser que já esteja em um quadro que exija maiores cuidados.
Vestir-se bem, ser olhado, sentir-se desejável, provocar sorrizos, fazem bem à mente e em consequencia ao corpo. Muitas doenças que antes eram de origem inesplicáveis, podem ser psicosomáticas, daí a importância de manter os setores da vida bem organizados, na medida do possível,e a aparência nâo fica atrás. Levantar-se cedo e alongar-se, faz bem pra saúde e pra beleza, alimentar-se bem, fazer amizades saudáveis, tudo relacionado e de simples aplicaçâo. Uma vida desregrada de  alcool, tabagismo, noites em claro tudo contribue para uma aparência ruim, uma saúde frágil e custam caro.
Vale ressaltar que existe uma linha tênue entre beleza e saúde e beleza e doença. Com o afã de manter-se jovem, muitas pessoas travam uma verdadeira corrida contra o relógio e até mesmo se aficcionam em cirurgias perigosas rompendo a barreira de ter uma boa imagem e viver bem. Devemos lembrar que existem belas crianças, belos jovens, belos adultos e porquê não belos idosos? A beleza vai alem da pele esticada e com tudo em cima, viver bem e com saúde tambem signifíca aceitar cada etapa da nossa existência e encontrar a beleza onde ela nunca deve deixar de estar, no fundo dos olhos, no sorrizo e principalmente no coraçâo.

Canteiros centrais

Nos canteiros centrais da avenida movimentada.
Ipês florescendo, pessoas subindo e descendo das tumultuadas calçadas.
Olhares atropelando, outros vêem e não falam nada.

Gigantes buquês imponentes dos canteiros centrais.
Avenida Contorno, ipês floridos e pessoas normais.
No tempo seco, seus galhos sem folhas, acontecimentos banais.

Ipês do cerrado de longe se mostram, destacando na estiagem.
Avenida Contorno, janela de ônibus emoldurando a paisagem.
Tapete de flores do canteiro central, pessoas de passagem.

Desprendendo uma a uma, caindo na grama voando com a ventania.
Pessoas agitadas, a pé ou de carro, preocupados com a correria.
Tantos obstáculos, atrapalhando a visão, mais bela jamais seria.

Canteiros centrais da Avenida Contorno e pessoas normais
Seus ipês na estiagem com tapetes rosados em momentos banais
Muita fumaça, poeira e movimento, cenas de cidades reais.
Cai a chuva, voltam as folhas nos ipês dos canteiros centrais.


quinta-feira, 21 de julho de 2011

Paris D`Piaf


Entrecortadas palavras singelas, usadas e descartadas no papel.
Tumultuosas cabeças, pensantes, pesadas e embriagadas.
Sentimentos escondidos aflorando, pulando e saltando ao léu.
Sebosos ouvidos entupidos, escondidas orelhas obstruídas e tapadas.

Onde estão os românticos ouvintes da Piaf com seu copo e seu coração?
Ofuscados na magia da caixa brilhante que lhes tirou a emoção de viver
Sem barzinho pra brigar e chorar estão em casa envelhecidos sem emoção
Agora chora a dor que não é sua, embriagados com tanto o que não fazer.

Há! O chapéu engomado de cor clara se encardiu na poeira e foi guardado
O leve lenço enfiou-se no bolso para sempre e não mais lágrimas enxugou
O boêmio agora e insolente mendigo e amanhã morrerá de frio abandonado
A donzela com luvas de veludo, enrugou as mãos e para sempre o pó guardou.

Só tu paris ainda está no mesmo lugar, com moulin sem chapéu sem luva.
Só de longe lembra a que foi um dia, com gosto de álcool com som de bordel.
Tecidos vermelhos, acordeons, valsas embalantes, o divã a dama nua a uva.
Os perfumes são os mesmos, a moda foi e voltou e tu Piaf até hoje não se calou.