Secas as vidas quase sem água expirando suas ultimas reservas.
Cada folha e seus depósitos de poeira, fuligem e ressecadas. Até que chegue Setembro. Agosto divisor de tempos.
Secos meses se passaram e o vento sopra em Goianésia.
Seus reduzidos cursos de águas pedem chuva. Adentrando serra acima, Barro-alto, Santa Rita, Juscelândia.
De cima se vê a coluna de poeira e os veículos abarrotados de gente cansada, usinas e lavouras e nada muda nunca. Nem quando volta a chover.
Seu Dezinho rancou pés de café nos tempos de Geremias Lunardelli e achou que a mudança seria boa. Foi boa, mas não pra ele.
Em agosto as pessoas enlouquecem, comenta-se a muito tempo.
Na calçada de pés sujos fumando crack e procurando pedacinhos na poeira. O garoto ficou louco, tem filho e ficou assim.
Ninguém emprega alguém assim.
Seu Dezinho tava certo quando disse que por aqui tem magia no pé da serra e que o tempo está no fim.
Ele não falava de magia boa, ela é viva e encerra em seus vales gente que derrama seu suor por nada, enriquece os ricos e empobrece os pobres.
Gente viciada se desemprega e viciados se espalham nas calçadas imundas.
É mês de Agosto e os encerrados de goianésia enlouquecem.
Uns querem apenas comida pra si e seus filhos, querem trabalho e querem recomeço. Esses enlouquecem e querem viver mais uma safra para que seus filhos comam.
Outros se drogam nas calçadas, sujas da poeira que vem da serra no mês de Agosto. Bebendo mais um gole e fumam mais um trago, catando guimbas de cigarro e ficam entre a cinza a pedra e o pó. Esses enlouquecem e querem viver mais uma correria pra fumar e morrer.
Os ventos de Agosto agora tampando com folhas e terra as sementes que caíram durante a seca. Essas têm de morrer, secar para que se renove a vida.
Em casa de dispensa cheia em bairros limpos, pouco se sente.
Mas os bichos do cerrado têm de ir longe atrás de água e os frutos escassos dessas arvores retorcidas são raros, adstringentes e pouco servem pra matar a fome.
São para todos os mesmos ventos de Agosto e que pra alguns e nenhuns algo muda.
Seria falta de comida e água.
Seria falta de emprego e perspectivas.
Seria abandono de batalha e auto-entrega.
Ventos que vem da serra mágica que ergue os já altos e deprime os baixos nos vales.
Nesses ventos de Agosto enlouquecidos encerrados, dos vales do cerrado na cidade de Goianésia.

Nenhum comentário:
Postar um comentário