Entrecortadas palavras singelas, usadas e descartadas no papel.
Tumultuosas cabeças, pensantes, pesadas e embriagadas.
Sentimentos escondidos aflorando, pulando e saltando ao léu.
Onde estão os românticos ouvintes da Piaf com seu copo e seu coração?
Ofuscados na magia da caixa brilhante que lhes tirou a emoção de viver
Sem barzinho pra brigar e chorar estão em casa envelhecidos sem emoção
Agora chora a dor que não é sua, embriagados com tanto o que não fazer.
Há! O chapéu engomado de cor clara se encardiu na poeira e foi guardado
O leve lenço enfiou-se no bolso para sempre e não mais lágrimas enxugou
O boêmio agora e insolente mendigo e amanhã morrerá de frio abandonado
A donzela com luvas de veludo, enrugou as mãos e para sempre o pó guardou.
Só tu paris ainda está no mesmo lugar, com moulin sem chapéu sem luva.
Só de longe lembra a que foi um dia, com gosto de álcool com som de bordel.
Tecidos vermelhos, acordeons, valsas embalantes, o divã a dama nua a uva.
Os perfumes são os mesmos, a moda foi e voltou e tu Piaf até hoje não se calou.

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