domingo, 27 de novembro de 2011

O TEMPO NÂO APAGARÁ...

Próximo às festas de fim de ano, venho neste espaço relembrar de alguém.
Uma garota que parecia moleca e que a cada vez que a encontrava me deixava impressionado.
Não sei qual é o propósito das coisas, mas ela, tão jovem foi embora e mesmo assim nunca nos deixará.
Flaviane Ferreira Fialho se foi numa véspera de natal e fez negra esta época para sua família.
Onde está você agora que nossos olhos não a veem mais?
Não adianta mais te procurar no cano da praça da baixada nem no banquinho perto da estátua da praça do centro.
Foi uma fagulha quente capaz de incendiar os corações mais frios, e no calor do fogo se foi.
Gostaria de dar-te meu perdão por causar tanta tristeza e indignação com a vida, mas você se foi rápido e fez inútil qualquer tentativa de resposta.
Um mês de expectativas em torno de sua recuperação traçaram uma via dolorosa.
Foi um tempo pra ser perdoada e pra perdoar. Isto me conforta.
 A dor purifica a alma e onde quer que eu vá não farei vista grossa pro aprendizado da vida.
Dê-me um tempo. Quem sabe a vida toda. Ainda assim não será suficiente pra sarar certas feridas.
Apertar um e rir das pessoas ainda eram coisa de jovenzinhos inconsequentes, mas você era mais do que isto.
Não éramos enamorados e nem seríamos, porém uma amizade as vezes tem maior importância e é por isso que dedico este natal a você.
Pitchula, quando nos encontrávamos em sonho após sua morte eu te amei como uma irmãzinha. Uma hora teria de parar ou eu ficaria mais perturbado.
Me perdoe por isso, mas as lembranças felizes machucam mais e todos que te conheceram ainda se lembram daquele natal.
Sua dor ainda viva em quem ficou e rogo a Deus que pelo menos você não tenha lembranças desta tragédia que irremediavelmente atingiu a tantos.
Se soubesse eu que isto aconteceria, ainda assim faria tudo de novo para estar com você em tantos momentos.
Ainda te amo.

Seu amigo Eder Mendes

terça-feira, 8 de novembro de 2011

A SENTINELA DOS SONHOS

Enquanto me olhava de canto de olho, me atraía e envolvia num sonho de infância.
Enquanto não a conhecia, me moldei e me aperfeiçoei para que pudesse ser, era sublime pensar nela e em todos que estavam juntos por sua causa.
Aqueles olhos inchados um pouco turvos não se encaixavam em minhas fotografias, era eu uma criança que gostava do trem fantasma.
Todos os lugares onde a encontrava eram de fazer frio na barriga e eu sempre ia.
Eu fazia de insano o sorriso que era puro e num mergulho de cabeça me afoguei na água represada.
Um riacho que era tranquilo e transparente, tudo por ela.
Outros vieram seguindo e caindo, fugindo e retornando.
Ela queria de mim o que teve de todos e eu não podia dar.
Ela tomou.
Sempre em que eu a questionava acerca de suas intenções, ela me deixava livre pra me enganar e acabar voltando.
Hoje quando a encontro, vejo nela a morte de meus sonhos e não era pra ser.
Sonhador e inquieto, ainda procuro por motivos e parece que apesar de uma vida linda com tudo o que sou e tenho, ela vai rir de mim.
Porque ela esta na minha dor, dor aquela que já existia antes mesmo de nos conhecermos.
Quando vejo gente jovem, tenho pena, pena de mim, pena do mundo.
Afinal de contas, sei que não sou o primeiro, mas se tivesse certeza de que seria o ultimo, morreria com ela para que ninguém mais se enganasse.
De todas as músicas e filmes, paisagens e pessoas que me acompanhavam, ela se fez de necessária.
Durante as conversas deu a pauta e velhas mentiras foram contadas.
No fim de tudo ela substituiu o amor e por isso se tornou sinônimo de morte e dor.
Personificada e intensa, um dia nos encontraremos e vou envergonha-la...
Porque eu era puro de coração e nunca quis...
Mas ela, ela sempre soube e mesmo assim fez questão de tamanha destruição e tristeza.
Vejo hoje, todos aqui, na fila, um a um.
Minha cantora preferida.
Um familiar querido.
O ator que fez aquele filme.
O vizinho que brincava no meio da rua.
O coleguinha de classe e aquela namoradinha que eu amava.
E isso me fez chorar.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

pra que fingir tão bem?
 é claro que as cores vem de dentro.
figuras, peixes, flores e gente feliz.
e quando não é isto?
pintar é mais fácil.
escrever.
ainda bem que quase ninguém lê.
hoje me encontrariam aqui, em poucas linhas.
nunca quis isto.
pena que quase ninguém intenderia com facilidade.
linhas vazias.
mal escritas.
poucas palavras.
nenhuma ideia.
aqui sim, estou eu.
sem descrições detalhistas.
sem comparações coerentes e aparentemente inteligentes.
eu.
e eu.
e só eu.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

APENAS LOUCOS ACREDITAM EM DEUS


Quem quis se esconder e perdeu seu tempo num baile de máscaras. São seus últimos segundos e não há mais o que fazer, atordoados como bêbados a caminho de casa. Essa é a vida e no fundo todos sabiam disto.
Num entrave eterno entre o que é e o que gostariam que fossem. Essa é a vida e mesmo assim ignoraram a mensagem de alguém que andou avisando sobre o amor. Seria tão mais fácil se as famílias amassem de verdade seus integrantes sem olhar tanto o que estava incrustando a bela imagem almejada
Pecaram por acreditar em deus, deus este que de seu trono imputa regras de vida baseadas em preconceitos. Separando pessoas de pessoas e criando camadas de maquiagem sobre as faces putrefadas. Ninguém escapa do grande olho que tudo sabe e tudo vê, e quando trancada a porta em seu leito, longe de tudo e todos, ele estará lá.
Mal pode esperar o momento de julgar e decapitar as malditas cabeças pecadoras. Quando chorou no quarto quietinho e sem barulho para que ninguém soubesse de seus sentimentos, ele sabe, avisou sua mãe.
Era pior do que poderia se imaginar, o grande deus que diverge em suas criações sem que nada pode ser feito. Aqueles que na roleta russa do acaso saem do padrão do seu tempo e cultura, esses o temido inferno os aguarda.
 Ah! Como é bom ser deus. Ou criar um para amedrontar e bitolar as pessoas.
Quase ninguém soube que Deus sempre esteve na vida e que tudo o que ele queria era que essa vida seguisse seu curso como um riacho. Sem diques nem barreiras, sem represar sentimentos ou nivelar seu relevo de dificuldades intercalado com cursos mansos.
Ninguém contou que o barro da terra corre nas veias de Deus numa bola viva que não peca por existir. Sapos pulam e pássaros voam e pecado seria se começassem a voar os sapos. Tal como seres humanos que nascem dotados de uma gama infinita de possibilidades. Pode matar, pode roubar, pode até blasfemar... o ser humano pode, sim, Deus não impede. O grande deus impede, condena e um dia há de castigar.
Deus deixou tudo para que todos pudessem ser, como ele quis, livres. Quem determina o que o grande deus condena é o próprio que se condena por fazer tal coisa. Por acaso é necessário dizer que o ferro quente queima se de longe pode sentir o seu calor?
Questões humanas de ética, sobrevivência e pudor, bem como as facetas de quem nada sabe a respeito de si afastaram o homem de Deus e como nada poderiam fazer, criaram outro grande deus que fosse passível de medidas cabíveis em seu controle. Quem ousou desconfiar, antes morria, agora pode ser que apenas pense, fale ou quem sabe escreva. Loucos. Apenas loucos.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Bêbado blue, baby blues
Embaladas no blues, lágrimas obvias e sem emoção.
Fácil dor de um bêbado sem seu gole pra filosofar.
Trancafiado em grilhões de oportunidades que envelheceram sua geração.
 Voltar pra casa cedo e ter filhos pra criar.
Apagar cigarro em cinzeiros e só beber mais uma e ir de volta.
Coisas enferrujadas entre outras já mofadas lembrando que o tempo passou.
Esquecer os hinos dos rebeldes, ficar sem graça e sentar na praça feliz e sem revolta.
Tudo pra fazer alguém feliz e não a si mesmo, falar pouco com quem restou.
Botar filhos no mundo. Não gravar discos. Não tatuar. Não morrer aos vinte e sete. 

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Bruna, Bianca e Bettina.



O amor é sem medidas e inescrupuloso, sem explicar toma conta é abundante e superabundante.
O amor é bonito de se ver e falar, nem sempre de se viver nem sempre de se amar.
O amor é construir, se não correspondido, também pode destruir.
O amor faz crescer e quanto maior for, mais faz caber.
  

Então ame sem demora, tire de dentro e ponha pra fora.
Então deixe ser amado, mesmo que seja longe, mesmo estando ao lado.
Então faça o amor valer, em meio a noite negra ou vendo o sol nascer.
Então viva o amor de verdade, com proximidade ou com saudade.

Seja fiel e tome cuidado, pode morrer se não for regado.
Seja paciente e tenha energia, lidar com a tristeza conter a euforia.
Seja calmo e deixe viver, se for abafado pode morrer.
Seja como for, só existe sentido para a vida se existir o amor.

Sobrinhas e filha, amigos e irmãos, amor é isto, vos amo e não da pra explicar...

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Agosto mês dos loucos

 Ventos de Agosto, devaneio e loucura no mês que deixa o cerrado marrom e aparentemente sem vida.
Secas as vidas quase sem água expirando suas ultimas reservas.
Cada folha e seus depósitos de poeira, fuligem e ressecadas. Até que chegue Setembro. Agosto divisor de tempos.
Secos meses se passaram e o vento sopra em Goianésia.
Seus reduzidos cursos de águas pedem chuva. Adentrando serra acima, Barro-alto, Santa Rita, Juscelândia.
De cima se vê a coluna de poeira e os veículos abarrotados de gente cansada, usinas e lavouras e nada muda nunca. Nem quando volta a chover.
Seu Dezinho rancou pés de café nos tempos de Geremias Lunardelli e achou que a mudança seria boa. Foi boa, mas não pra ele.
Em agosto as pessoas enlouquecem, comenta-se a muito tempo.
Na calçada de pés sujos fumando crack e procurando pedacinhos na poeira. O garoto ficou louco, tem filho e ficou assim.
Ninguém emprega alguém assim.
Seu Dezinho tava certo quando disse que por aqui tem magia no pé da serra e que o tempo está no fim.
Ele não falava de magia boa, ela é viva e encerra em seus vales gente que derrama seu suor por nada, enriquece os ricos e empobrece os pobres.
Gente viciada se desemprega e viciados se espalham nas calçadas imundas.
É mês de Agosto e os encerrados de goianésia enlouquecem.
Uns querem apenas comida pra si e seus filhos, querem trabalho e querem recomeço. Esses enlouquecem e querem viver mais uma safra para que seus filhos comam.
Outros se drogam nas calçadas, sujas da poeira que vem da serra no mês de Agosto. Bebendo mais um gole e fumam mais um trago, catando guimbas de cigarro e ficam entre a cinza a pedra e o pó. Esses enlouquecem e querem viver mais uma correria pra fumar e morrer.
Os ventos de Agosto agora tampando com folhas e terra as sementes que caíram durante a seca. Essas têm de morrer, secar para que se renove a vida.
Em casa de dispensa cheia em bairros limpos, pouco se sente.
Mas os bichos do cerrado têm de ir longe atrás de água e os frutos escassos dessas arvores retorcidas são raros, adstringentes e pouco servem pra matar a fome.
São para todos os mesmos ventos de Agosto e que pra alguns e nenhuns algo muda.
Seria falta de comida e água.
Seria falta de emprego e perspectivas.
Seria abandono de batalha e auto-entrega.
Ventos que vem da serra mágica que ergue os já altos e deprime os baixos nos vales.
Nesses ventos de Agosto enlouquecidos encerrados, dos vales do cerrado na cidade de Goianésia.