Próximo às festas de fim de ano, venho neste espaço relembrar de alguém.
Uma garota que parecia moleca e que a cada vez que a encontrava me deixava impressionado.
Não sei qual é o propósito das coisas, mas ela, tão jovem foi embora e mesmo assim nunca nos deixará.
Flaviane Ferreira Fialho se foi numa véspera de natal e fez negra esta época para sua família.
Onde está você agora que nossos olhos não a veem mais?
Não adianta mais te procurar no cano da praça da baixada nem no banquinho perto da estátua da praça do centro.
Foi uma fagulha quente capaz de incendiar os corações mais frios, e no calor do fogo se foi.
Gostaria de dar-te meu perdão por causar tanta tristeza e indignação com a vida, mas você se foi rápido e fez inútil qualquer tentativa de resposta.
Um mês de expectativas em torno de sua recuperação traçaram uma via dolorosa.
Foi um tempo pra ser perdoada e pra perdoar. Isto me conforta.
A dor purifica a alma e onde quer que eu vá não farei vista grossa pro aprendizado da vida.
Dê-me um tempo. Quem sabe a vida toda. Ainda assim não será suficiente pra sarar certas feridas.
Apertar um e rir das pessoas ainda eram coisa de jovenzinhos inconsequentes, mas você era mais do que isto.
Não éramos enamorados e nem seríamos, porém uma amizade as vezes tem maior importância e é por isso que dedico este natal a você.
Pitchula, quando nos encontrávamos em sonho após sua morte eu te amei como uma irmãzinha. Uma hora teria de parar ou eu ficaria mais perturbado.
Me perdoe por isso, mas as lembranças felizes machucam mais e todos que te conheceram ainda se lembram daquele natal.
Sua dor ainda viva em quem ficou e rogo a Deus que pelo menos você não tenha lembranças desta tragédia que irremediavelmente atingiu a tantos.
Se soubesse eu que isto aconteceria, ainda assim faria tudo de novo para estar com você em tantos momentos.
Ainda te amo.
Seu amigo Eder Mendes






