quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Agosto mês dos loucos

 Ventos de Agosto, devaneio e loucura no mês que deixa o cerrado marrom e aparentemente sem vida.
Secas as vidas quase sem água expirando suas ultimas reservas.
Cada folha e seus depósitos de poeira, fuligem e ressecadas. Até que chegue Setembro. Agosto divisor de tempos.
Secos meses se passaram e o vento sopra em Goianésia.
Seus reduzidos cursos de águas pedem chuva. Adentrando serra acima, Barro-alto, Santa Rita, Juscelândia.
De cima se vê a coluna de poeira e os veículos abarrotados de gente cansada, usinas e lavouras e nada muda nunca. Nem quando volta a chover.
Seu Dezinho rancou pés de café nos tempos de Geremias Lunardelli e achou que a mudança seria boa. Foi boa, mas não pra ele.
Em agosto as pessoas enlouquecem, comenta-se a muito tempo.
Na calçada de pés sujos fumando crack e procurando pedacinhos na poeira. O garoto ficou louco, tem filho e ficou assim.
Ninguém emprega alguém assim.
Seu Dezinho tava certo quando disse que por aqui tem magia no pé da serra e que o tempo está no fim.
Ele não falava de magia boa, ela é viva e encerra em seus vales gente que derrama seu suor por nada, enriquece os ricos e empobrece os pobres.
Gente viciada se desemprega e viciados se espalham nas calçadas imundas.
É mês de Agosto e os encerrados de goianésia enlouquecem.
Uns querem apenas comida pra si e seus filhos, querem trabalho e querem recomeço. Esses enlouquecem e querem viver mais uma safra para que seus filhos comam.
Outros se drogam nas calçadas, sujas da poeira que vem da serra no mês de Agosto. Bebendo mais um gole e fumam mais um trago, catando guimbas de cigarro e ficam entre a cinza a pedra e o pó. Esses enlouquecem e querem viver mais uma correria pra fumar e morrer.
Os ventos de Agosto agora tampando com folhas e terra as sementes que caíram durante a seca. Essas têm de morrer, secar para que se renove a vida.
Em casa de dispensa cheia em bairros limpos, pouco se sente.
Mas os bichos do cerrado têm de ir longe atrás de água e os frutos escassos dessas arvores retorcidas são raros, adstringentes e pouco servem pra matar a fome.
São para todos os mesmos ventos de Agosto e que pra alguns e nenhuns algo muda.
Seria falta de comida e água.
Seria falta de emprego e perspectivas.
Seria abandono de batalha e auto-entrega.
Ventos que vem da serra mágica que ergue os já altos e deprime os baixos nos vales.
Nesses ventos de Agosto enlouquecidos encerrados, dos vales do cerrado na cidade de Goianésia.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

DEISE



Sabe Deise? As vezes te encontro de surpresa em alguns sonhos e sinto falta de falar com você. Sou tão antigo em algumas coisas e não consigo me satisfazer com telefones e mensagens. Fico aqui e imagino o que você é e o que você faz.
Não estamos tão distantes e hoje em dia tudo parece mais fácil, só que sinto umas coisas de vez em quando que não consigo disfarçar pra você. Nossa cumplicidade não acabou e isto é sintoma de um laço verdadeiro e forte.
Sabe Deise? As coisas aconteceram muito rápido pra mim e eu tive tanto tempo pra me preparar, e você sabe, eu fui deixando... Sinto falta do que não tenho mais e vejo com uma certa nostalgia os tempos em que tudo poderia ser melhor.
Sua filha já está tão grandinha então imagino que você sabe do que estou falando. Ver minha filha nascer num momento tão triste da minha vida me fez lembrar o quanto você, apesar de manhosa, é forte e não se abateu com a vida. Me falta um pouco disso e não sei onde buscar.
Todos, onde você trabalhou, notavam sua competência e o seu sucesso era sempre alcançado. Seus amigos não ficaram de lado quando você foi mãe mas você sempre os fez ocupar o lugar devido em sua vida. É medonha sua autonomia e capacidade de jogar tudo pra cima.
Levei mais um sacode da vida e pareço ter perdido o bonde, aí me lembro de você. Não dava pra mentir e ouvindo um som, nas idas e voltas do colégio a gente botava o papo em dia. Sempre quero demais e parece que pra isto o tempo não passa, ou passa demais e eu fico assim.
Queria minha vida de volta e te vejo nela, rindo, brigando, ou apenas por aí... Sei que está viva e diferente de alguns amigos que se foram a gente é mais que isso, só que dói ter de admitir que no tempo em que dava pra jogar conversa fora, andar por aí, onde eu tava? Estou muito feliz com meu anjinho, só que tenho medo de que um dia alguém ache que eu não sirvo pra ela ou que ela pense isto de mim. Tanta bobagem só pra te dizer que to com muita saudade de você e que o lugar que você ocupa na minha vida não está vago e nem deixou de existir, está do mesmo jeito que você deixou

Numa rachadura de uma calçada no canto de um muro encontrei um raminho com uma florzinha pequena que se ergueu
Não sei como ela foi nascer ali, naquele lugar tão inóspito e cheio de pessoas transitando.
Pétalas brancas com um miolinho amarelo, cabo fininho em meio ao lodo da calçada.
Mexeu comigo e percebi que ninguém se importava com a florzinha da calçada.
Um passo depois já era motivo para que nem eu me lembrasse também.
A natureza oferece espetáculos a todo momento e no vai e vem dos dias nem percebemos.
A margaridinha da calçada era apenas um exemplo de resistência sem se perder a beleza.
Assim como quem, entre uns e outros que pisaram ou que não se importaram.
Resiste sem perder a beleza e faz de sua existência um motivo para que outros também insistam.
Não vista ou lembrada, margarida da calçada Reconhecer a dádiva e a beleza que se tem não é ser amada ou ser louvada. É apenas continuar a viver, quer aprendendo lições ou servindo como tal.

Parabéns por ser assim, espero você aqui... Te amo

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

É proporcional

É proporcional

Quis um grande emprego...
Quis uma grande felicidade...
Quis um encontro com um grande deus...
Quis uma grande fortuna...
Quis grandes amigos....
Pequeno demais pra comportar tão grandes ambições e não tive nada.
Simples demais pra entender, mas grande demais pra uma mente pequena.
Quando me vi em derrotas e conflitos sem resolução, minimizaram minhas reações.
Então proporcional ao espaço que abri em mim buscando grandiosas coisas, algo aconteceu.
Desempregado com grandes dívidas...
Infeliz com grandes perdas...
Incrédulo com grandes dúvidas...
Pobre com grandes privações...
Inimigos com grandes decepções...
Um grande fracasso...
Algo grande que nunca busquei, sobreviveu e frutificou.
Um grande amor...
O amor não pede carteira assinada, mas precisa de sustento.
O amor não vive de momentos mais afaga na tristeza.
O amor não responde a todas as perguntas, pelo contrário questiona.
O amor não compra uma casa, mas faz querer ter uma.
O amor não devolve os amigos da juventude, os torna até indesejáveis.
E na megalomania de antes no meio de uma equação impossível de terminar bem...
Cinara e Bianca e o meu grande desfecho.
Agora o mundo ficou pequeno.
Eu é que sou grande...
Eder Mendes