terça-feira, 18 de outubro de 2011

pra que fingir tão bem?
 é claro que as cores vem de dentro.
figuras, peixes, flores e gente feliz.
e quando não é isto?
pintar é mais fácil.
escrever.
ainda bem que quase ninguém lê.
hoje me encontrariam aqui, em poucas linhas.
nunca quis isto.
pena que quase ninguém intenderia com facilidade.
linhas vazias.
mal escritas.
poucas palavras.
nenhuma ideia.
aqui sim, estou eu.
sem descrições detalhistas.
sem comparações coerentes e aparentemente inteligentes.
eu.
e eu.
e só eu.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

APENAS LOUCOS ACREDITAM EM DEUS


Quem quis se esconder e perdeu seu tempo num baile de máscaras. São seus últimos segundos e não há mais o que fazer, atordoados como bêbados a caminho de casa. Essa é a vida e no fundo todos sabiam disto.
Num entrave eterno entre o que é e o que gostariam que fossem. Essa é a vida e mesmo assim ignoraram a mensagem de alguém que andou avisando sobre o amor. Seria tão mais fácil se as famílias amassem de verdade seus integrantes sem olhar tanto o que estava incrustando a bela imagem almejada
Pecaram por acreditar em deus, deus este que de seu trono imputa regras de vida baseadas em preconceitos. Separando pessoas de pessoas e criando camadas de maquiagem sobre as faces putrefadas. Ninguém escapa do grande olho que tudo sabe e tudo vê, e quando trancada a porta em seu leito, longe de tudo e todos, ele estará lá.
Mal pode esperar o momento de julgar e decapitar as malditas cabeças pecadoras. Quando chorou no quarto quietinho e sem barulho para que ninguém soubesse de seus sentimentos, ele sabe, avisou sua mãe.
Era pior do que poderia se imaginar, o grande deus que diverge em suas criações sem que nada pode ser feito. Aqueles que na roleta russa do acaso saem do padrão do seu tempo e cultura, esses o temido inferno os aguarda.
 Ah! Como é bom ser deus. Ou criar um para amedrontar e bitolar as pessoas.
Quase ninguém soube que Deus sempre esteve na vida e que tudo o que ele queria era que essa vida seguisse seu curso como um riacho. Sem diques nem barreiras, sem represar sentimentos ou nivelar seu relevo de dificuldades intercalado com cursos mansos.
Ninguém contou que o barro da terra corre nas veias de Deus numa bola viva que não peca por existir. Sapos pulam e pássaros voam e pecado seria se começassem a voar os sapos. Tal como seres humanos que nascem dotados de uma gama infinita de possibilidades. Pode matar, pode roubar, pode até blasfemar... o ser humano pode, sim, Deus não impede. O grande deus impede, condena e um dia há de castigar.
Deus deixou tudo para que todos pudessem ser, como ele quis, livres. Quem determina o que o grande deus condena é o próprio que se condena por fazer tal coisa. Por acaso é necessário dizer que o ferro quente queima se de longe pode sentir o seu calor?
Questões humanas de ética, sobrevivência e pudor, bem como as facetas de quem nada sabe a respeito de si afastaram o homem de Deus e como nada poderiam fazer, criaram outro grande deus que fosse passível de medidas cabíveis em seu controle. Quem ousou desconfiar, antes morria, agora pode ser que apenas pense, fale ou quem sabe escreva. Loucos. Apenas loucos.